Mesmo com toda a tecnologia utilizada pelas forças de segurança para o combate ao tráfico de drogas e a localização de pessoas, nenhuma é tão efetiva e autêntica quanto o faro dos cães. O trabalho desempenhado por esses animais é essencial para auxiliar a Polícia e o Corpo de Bombeiros em ocorrências e investigações.

Neste 15 de junho de 2025, o estado de São Paulo celebrou pela primeira vez o Dia do Cão Policial, data institucionalizada pela Lei 18.017/2024, de autoria da deputada Letícia Aguiar (PL). Mais do que uma homenagem, a data marca o reconhecimento oficial desses animais que ajudam a salvar vidas e combater o crime.

Na Polícia Científica de São Paulo, por exemplo, os dois cães atualmente em serviço, Mani e Savana, ambos vira-latas, têm uma rotina que mistura brincadeira e ciência.  Pioneiro, o projeto da Polícia Científica utiliza cães para detecção de vestígios biológicos em perícias criminais. Mani é o primeiro cão policial do Brasil treinado especificamente para detecção de sangue.

Além dos treinamentos de faro e condicionamento físico, os cães contam com passeios de descompressão, atividades lúdicas e um rígido acompanhamento veterinário, com exames diários para garantir que estão aptos a trabalhar.

A rotina de um dia de trabalho e outro de descanso também é aplicada aos cães policiais da Polícia Militar. Segundo detalhado em boletim da Alesp pleo Capitão PM Herick Lemos, chefe da comunicação social do 5º Batalhão de Polícia de Choque – Canil Central , atualmente o estado de São Paulo conta com 26 canis da PM, sendo um central em São Paulo (Zona Norte) e outros 25 distribuídos em diferentes regiões do estado. São cerca de 270 cães policiais em atuação, treinados para missões como detecção de drogas, armas, munições, patrulhamento ostensivo, proteção policial, busca de pessoas desaparecidas e criminosos.

As principais raças utilizadas pela PM são Pastor Alemão, Pastor Belga Malinois e Pastor Holandês. O processo de seleção é rigoroso: apenas cerca de 30% dos filhotes criados ou recebidos por doação são aproveitados para o serviço. Os cães passam por uma série de testes de comportamento, coragem, olfato e resistência física.

Mais do que companheiros de trabalho, os cães e seus condutores formam o que é chamado na linguagem policial de “binômio”. A sincronia entre os dois é tão grande que os treinadores muitas vezes percebem alterações de comportamento que indicam, antes de qualquer exame, que o cão pode estar com algum problema de saúde. O mesmo acontece de forma inversa, os cães também percebem alterações no comportamento do condutor. Essa conexão faz com que, na aposentadoria, os cães fiquem com os próprios condutores.

Tanto na Polícia Científica quanto na Polícia Militar e nos Bombeiros, o faro dos cães já foi decisivo em inúmeras operações. Eles encontram drogas, localizam corpos em áreas de difícil acesso e ajudam a esclarecer crimes.

A iniciativa legislativa teve como inspiração a trajetória do cão Dick, um filhote de pastor alemão foi abandonado na porta do canil da Polícia Militar de São Paulo em 1953. O cachorro foi acolhido, treinado e tornou-se um dos cães mais destacados da corporação. O companheiro de Dick era o soldado José Muniz de Souza. Em 1956, o canil enfrentou uma ameaça de extinção após um aviso direto do então governador Jânio Quadros, que, em meio a uma política de contenção de gastos, quis fechar o canil. No entanto, nesse mesmo período, o desaparecimento do menino Eduardo Benevides, de três anos, mobilizou o estado, e Quadros determinou a criação de uma força-tarefa para as buscas, exigindo empenho total na localização da criança. No terceiro dia de buscas, o cão Dick foi o responsável por encontrar a criança dentro de um poço em uma área de mata, no bairro Água Funda. Após esse feito, ele foi promovido a cabo, junto com Muniz, sendo o primeiro cachorro a conquistar tal promoção.

Fonte: Comunicação Alesp

Imagens: Canil Central PMESP

Convite Regional Santos